Ana era uma garota reservada. Quase ninguém a notava, ela costumava sentar ao fundo sala, sempre com capuz e fones de ouvido.
Ela gostaria de ser invisível, e para alguns realmente era, mas não para Rafael, ele a notava, o desejo dele era tirar aquele disfarce. Ele a vira uma vez no shopping, sabia que era uma menina bonita, nao entendia porque ela tanto se escondia.
Em uma quarta-feira nublada, faltou um professor de 2° e 3° períodos, Rafael resolveu que aquele era o dia em que tomaria coragem e falaria com Ana.
- Oi, tudo bem? - disse ele sorrindo.
Ela olhou com um olhar pouco desconfiado, tirou os fones e respirou fundo.
- Aham.
- Eu sou o...
Ela o interrompeu.
- Eu sei quem tu é. Não entendo o que faz aqui.
- Pensei que...
- Que o que? Que porque eu fico sozinha quero companhia?
- É que...
- Eu sei fazer amigos. E se não tenho nenhum é por que nao confio em ninguém. - Ela levantou-se e saiu da sala.
Rafael a observou boquiaberto até sua silhueta desaparecer no imenso corredor.
Ele não entendia.
"O que teria feito de errado?" pensou.
Ele não sabia, mas se decidiu, daquele dia em diante ia mostar à Ana que ele não era qualquer um, e que merecia a sua confiança.
Todos os dias ele a encurralava em um canto da escola para conversarem, ele sempre escolhia ela para fazer trabalhos em grupo, ia com ela até em casa, fazia de tudo para estar sempre ao seu lado. Chegava a ser chato as vezes. Por fora tudo que ele fazia a deixava furiosa, mas por dentro, ele tinha certeza, aquele frio coração batia mais forte. A cada dia ele sentia ela se entregar um pouco mais, sorrir mais, falar mais, se esconder menos.
Para Rafael o amor não era uma novidade. Mas, Ana o trouxe para um mundo completamente diferente de tudo que já havia vivido. Ela era tão complicada, mas ele sabia que dentro dela, por trás daqueles resquícios de um velho batom vermelho e aqueles olhos raivosos que queimavam como brasa, existia algo espcial demais. Era algo tão especial que ela nunca atreveu-se mostrar a ninguém.
Mas Rafael precisava saber.
"Será que algum dia ela vai me amar como eu amo ela?"
Ele sabia que a queria. Que precisava dela. Então mandou uma mensagem:
"Ana, pode vir aqui em casa a noite?"
" Acho que sim. Por quê?"
"Vem e eu te conto. Beijos"
"Ta, tchau."
Continua...
Die Niehus.
Nenhum comentário:
Postar um comentário