Era uma segunda-feira monótona, os corredores estavam quase vazios, o tempo estava num "chove, não chove" e eu estava sentado na mesa da biblioteca sozinho, só eu e um livro antigo. O sinal tocou para o final do recreio, eu voltei pra sala, nenhum dos meus amigos tinha ido a aula, estava tudo muito cinza naquele dia, quando se ouviu um trovão, distante, mas alto, que ia se aproximando cada vez mais até se tornar quase ensurdecedor e naquela hora a luz caiu, ouviu-se um alto "aeeee" e muitas risadas nos corredores, estava tudo muito escuro, pois o céu estava fechado, a chuva estava ficando forte, e as luzes dos raios davam um ar meio assustador, mas bonito. Enquanto todos saíam para os corredores para conversar e beber água, eu fiquei ali sentado, novamente sozinho e novamente com meu livro antigo, usei a luz do celular para ler. De repente começou a esfriar, eu estranhei porque era verão e o ar parecia um banho morno naquele dia, o borbulhar das vozes começaram a ficar mais distantes, o ambiente estava cinzento, frio e agora silencioso, quase assustador, eu comecei a ficar com medo, comecei a olhar pelas janelas, o vento estava forte e a chuva não dava sinal de nenhuma trégua, não conseguia ouvir ninguém, só a chuva, quando uma única lampada piscou e eu fiquei muito assustado, pensei no que poderia ser, mas nao pensei por um minuto no que realmente era. Fechei o livro e fui para o corredor do térreo ver se tinha alguém por ali, não havia absolutamente ninguém, comecei a andar rápido, estava com um pouco de medo, mas não desesperado, subi as escadas e lá encima também não havia ninguém, andei por todos os andares, nenhuma viva alma se dignou a aparecer, então tentei sair do colégio, mas estava tudo trancado, entrei em desespero, olhei pela janela e já era noite. Nem notei, mas eu estava ali a mais de sete horas. Olhei o relógio e era uma hora da madrugada, me apavorei, como pude estar ali por sete horas e nem notar?, havia alguma coisa errada, mas tentei me acalmar, liguei para minha mãe mas ninguém atendeu, nem meu pai, e nenhum dos meus amigos, absolutamente ninguém, então ouvi uma das portas do segundo andar batendo, me deu um frio na espinha, mas fui ver por poderia ser alguém que eu conhecesse, abri a porta mas não tinha ninguém ali, apenas a janela aberta, a chuva tinha parado e o céu estava estranhamente limpo, dei uma olhada na sala mas parecia ser só o vento quem havia empurrado a porta, quando estava saindo de volta ao corredor ouvi um sussurro falado o meu nome, congelei, ouvi de novo, então me virei e dentro do último armário havia uma luz amarela, assustadoramente bonita e atrativa, fui chegando perto bem devagar, continuava ouvindo o sussurro vindo daquele lugar, então a porta do armário abriu com o barulho de um trovão ensurdecedor. O professor estava me chamando dizendo que a aula já tinha terminado e que eu não dormisse da próxima vez, levantei o rosto, meu livro estava meio babado, comecei a rir sozinho ao saber que tudo não passou de um simples sonho, arrumei minha mochila, sai para os corredores meio estranho, pois até hoje ainda tenho a curiosidade de saber o que havia dentro daquele armário.
J.W.
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