Depois do trabalho, Isabel ficou observando Pedro, esperando o melhor momento para falar com ele. Momento esse que ela não queria que chegasse tão depressa, mas havia prometido a Eliza que pelo menos tentaria.
O momento chegou, era agora ou nunca.
- Pedro! - a voz dela falhou - não entra neste ônibus. Fica. Conversa comigo. Eu nao posso mais viver assim.
Ele hesitou. Ela pensou que ele entraria, como se não a tivesse ouvido, como se ela não existisse.
Mas então, ele virou.
- Por quê? Por que isso agora? Já faz tanto tempo. Por que só me procurou agora?
- Porque eu achei que conheceria o caminho, que voltaria sozinho.
- Mas nem sempre temos coragem de voltar. As vezes precisamos de motivos para isso. Tu não me deu nenhum.
- Fui orgulhosa. Não quis admitir que te amava. Se te deixei livre para partir foi porque acreditei que não iria. E se fosse voltaria. Mas não voltou.
- Sinto muito, mas agora é tarde para falar de amor.
- Pelo menos deixe eu me despedir corretamente?!
Ele apenas assentiu em silêncio.
Ela preencheu o espaço que os separava. Eles estavam tão perto, ela queria abraça-lo, mas quando seus olhos se encontraram, quando ela estava tão próxima dele que podia sentir seu hálito quente, o desejo foi mais forte.
Ela o beijou, um beijo doce, intenso. Uma perfeita despedida.
- Eu sei que até pode ser tarde, mas nao pude evitar, não pude me negar esse último desejo.
Depois de um tempo só olhando no fundo dos olhos dela, Pedro finalmente disse:
- Talvez a última vez tivesse que ser assim. Adeus!
Isabel ficou lá, olhando ele ir embora. Agora seu coração estava mais leve. Ela sabia que Eliza estava certa. Ficou feliz de ter escutado a amiga.
Sentia ter perdido um amor, um amigo. Mas no fim tudo valeu a pena... Com amor ou não: Sugar!
Die Niehus.
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